Memórias de uma Gueixa

Memórias de uma gueixa, é uma narrativa de Arthur Golden, editada em Portugal pela primeira vez em 1998.

Muito além de ser um bom livro, é uma lição de história, diferenças culturais, tradições e uma aprendizagem de novos pontos de vista.

Quanto a vocês não sei, mas sempre me senti fascinada pela cultura oriental, muito em especial pela japonesa. No entanto sempre que pensamos no Japão antigo, vem á memória calmas aldeias, com arvores de cerejeira em flor, casas de madeira com portas de papel de arroz, e samurais vagueando de espada é cintura. Mas raramente aprendemos algo numa serie ou anime Japonês sobre a vida duma gueixa.

No entanto depois de ler este livro, venho a reparar que as gueixas estão presentes em quase todas as seríes e animes que retratam o Japão antigo. Apenas poucos são os ocidentais que as identificam.

O livro, memórias de uma gueixa retrata a vida de Sayuri, uma criança com o uma beleza particularmente rara, nascida numa desprovida aldeia de pescadores, e vendida pelo pai, após a morte da mãe.

Nos dias que correm é impossivel não torcer o nariz á venda duma criança para se vir a tornar uma cortesã, mas a realidade do Japão era outra. Como vimos a aprender durante a leitura deste livro, ser gueixa trazia a muitas mulheres um estatuto social respeitavel, e uma boa qualidade de vida.

Desde cedo, as meninas iam para uma escola especifica, onde aprenderiam a tornarem-se gueixas. Algumas não passavam de escravas, mas outras eram inscritas pelas próprias mães.

Uma gueixa, longe de ser uma vulgar prostituta, era uma mulher que aprendia a ler, a escrever, a tocar instrumentos musicais, a dançar, a falar de politica, bem como a ter uma determinada postura e rigidas regras de etiqueta.

Contráriamente aos cabarés ocidente, onde o alcóol, sexo e musica ruidosa eram predominantes, no Japão as gueixas eram contratadas para sumptuosas casas de chá, onde os homens pagavam pela sua simples companhia, a fim de poder falar de assuntos como trabalho, situações socio-económicas, politicas, etc. A gueixa era concebida para saber entreter o homem de diferentes maneiras.

Sayuri, a protagonista da história, revela a sua luta para deixar de ser uma simples criada de limpeza, comprando a sua liberdade e independencia, depois de muito lutar pelo o privilégio de se instruir numa escola de gueixas.

Mais do que uma simples históra, é uma lição histórico-cultural, que nos é oferecida por uma vasta e profunda investigação de Arthur Golden.

Transporta-nos ainda para plena segunda guerra mundial, onde os ataques dos EUA por vingança ao Pearl Harbon, destroiem todas as fábricas do Japão, onde se encontravam milhares de mulheres, pois muitas não tinham mais por onde se refugiar, se quissessem ter o que comer. Vivemos a evolução do Japão, e as mudanças ocorridas após os bombardeamentos, e como os soldados americanos se passeavam encantados nas casas de chá das gueixas, provando o tradicional saké.

Para grande desilusão minha, a história de Sayuri não é veridica, mas é com certeza semelhante, a muitas meninas vendidas, que tiveram a ambição de procurar uma vida melhor.

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