Meltdown – Á beira do colapso

Prologo

Os dias passavam uns iguais aos outros, como manchas esborratadas num papel sem qualquer sentido. Quando cheguei a esse vazio e não passava de um borrão confuso e desorganizado, que me manchava não só a mim, como a todos a meu redor.

Como encontrar alguém que me percebessse se nem eu própria me consigo perceber? Alguém que olhasse com atenção para todas as manchas que eu deixava pelo caminho, e as consguisse vislumbrar, e percebê-las, ás vezes quando nem eu conseguia. Para alguém elas podem sempre ganhar forma e significado.

Mas para onde vai esse alguém quando mais presisamos dele?

As realidades vão e vêm, vão-se afastando, até que o real e o irreal não se destinguem mais. Ontém pensava nisso.

Seguindo o guia de um museu, segurava a prancheta na mão, apontando alguns gatafunhos desordenados. Documentos, obras literárias, e outros tipos de objectos, chamavam-me através dos vidros cubicos e brilhantes do museu, pareceu-me impensavel que á muito tempo atrás tenham sido parte da vida quotidiana de alguem que seguramente existiu. Como pode estar a prova de outros tempos num papel carcomido pelos séculos? A quem pertenceriam as mãos que o escreveram, o que teria essa pessoa visto e vivenciado?  A pessoa não existe mais, á tanto tempo…

No entanto ali está, um misero papel que tantas coisas poderia ter contado se tivesse vida, ali intacto, com vidro a protege-lo. Quem o escreveu não passa hoje em dia de pó e vento, mas o papel esteve nas mãos dessa pessoa. Mas essa pessoa já não existe, nem á memória dos seus feitos e da sua vida. Tambem o papel esqueceu essa realidade.

Refleti olhando através dos vidros brilhantes, até estes se tornarem desfocados. Penso que tal como aquele papel, eu propria já esqueci realidades passadas, não passam hoje de um passado irreal.

Mas prefiro pensar que certas pessoas para no meu mundo foram apenas figurantes. Por  vezes conhecemos num café, num bar, numa praia, alguém que por e simplesmente não deviamos ter conhecido. Elas apenas lá estavam para preencher um espaço, para serem uma sombra á minha passagem.

Mas por vezes impomo-nos ao destino e conhecemos figurantes da nossa vida. Só que o destino leva-os de volta. Nunca mais sabemos deles, nunca mais temos noticias. Irão novamente cumprir o papel de figurantes. Uma cara que pode estar perto de mim em qualquer multidão, e não a voltarei a notar…

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