O “segundo” texto sobre as gordinhas de Margarida Rebelo Pinto – O esplendor da carne

Na verdade este artigo é anterior ao tão badalado “as gordinhas” mas não causou tanto impacto ou indignação. Para ler o texto na integra clicar aqui !

Analisando o texto, poderemos talvez deduzir que o preconceito de Margarida com as gordinhas, está a nascer e a desabrochar por esta altura. O texto desta vez não puxa tanto ao insulto mas sim á confusão e perplexidade.

Talvez não passe de senso comum da minha parte, mas acredito que Margarida Rebelo Pinto após todos os esforços para proporcionar a si própria na integra o “magreza é beleza”, fique absolutamente extenuada de encontrar á sua volta, mulheres que sem qualquer tipo de complexo, destapam o corpo com naturalidade, para usufruir do direito geral de um bom dia de praia.

Ora naturalmente para alguém que não perceba o que significa viver sem complexos ou futilidades, veja com pudor, o “destapamento” do corpo nu imperfeito.

Margarida Rebelo Pinto está confusa… Ali está ela, na sua magreza ossuda, procurando perceber, porque é que estas “gordinhas” são felizes assim? Como é possível envergar um sorriso bem disposto, quando se enverga também uma boa pança? Bem, é exatamente aqui que nasce o problema…

O ser humano é unico, e não existe ninguém igual a ninguem… E o que faz feliz a um, longe está de fazer feliz  um outro!

Sim Margarida, é natural que não se sinta atraida por corpos gordos ou cheiinhos, mas o problema está no estado confuso da sua mente por outros gostarem ou não ligarem… Essa parte só diz respeito a cada um…

O “ser” gordo, não é um ser assexuado sem apetites ou falta de sexismo… É simplesmente  um tipo de sexualidade não popularizado nos media, ou na sociedade em geral, mas não quer dizer que não tenha seguidores e não seja considerado! Minha cara, a sua opinião tão própria sobre um assunto não pode ser minimamente considerada, pois todos pensamos diferente e nem toda a gente está obcecada por seguir padrões corporais alusivos a publicidades, revistas e moda.

Se falar de comida para si é desinteressante, tem que compreender que para muitas pessoas, muitos dos seus assuntos também o serão.

O segredo não está em olhar para gordinhos felizes e tentar compreender. O segredo está em aceitar a diferença! Nem toda a gente pensa igual, nem o mundo seria interessante assim.

A Margarida procurou o segredo para a felicidade dos gordinhos, sem por um único momento pensar como eles. Nunca os iria perceber, pensando com o tipo de mentalidade que pensa de si para consigo…

Tentar perceber os gordinhos sem êxito, foi o que a levou a um estado de ignorância. E é da ignorância que nasce a discriminação e o preconceito! Da próxima não tente perceber – simplesmente aceite!

Nota: Se gostaram deste texto, comentem, todo o feedback é bem vindo! Se gostaram do blog podem seguir tudo pelo facebook, basta pôr um gosto no canto superior direito da página. Obrigado por lerem!

Anúncios

Margarida Rebelo plagia… a si mesma? – Sim…

Em Outobro de 2005, João Pedro George decide expor no seu blog (esplanar@blog.pt), um texto que depressa foi manchete, e noticia no Jornal 24H.

Depois de uma leitura exaustiva das obras de Margarida Rebelo Pinto, João George afirma que a escritora mais popular de Portugal afinal copia-se a si própria.

Sim ouviram bem – a si própria. Margarida Rebelo Pinto repete as mesmas frases e expressões, livro após livro.

A escritora entrou com uma providência cautelar contra João Pedro George, mas as suas tentativas foram inúteis, e o livro “Couves e Alforrecas” de 64 páginas acabou mesmo por sair.

Que diz então João George sobre o assunto?

Ao que parece existem frases de tal maneira geniais que o melhor é cultivá-las em todos os livros… Passo a citar alguns dos exemplos:

«As crónicas da Margarida, página 143: «E, como diz António Lobo Antunes, quando um coração se fecha, faz muito mais barulho do que uma porta». Em Não Há Coincidências; página 242: «O António Lobo Antunes diz que o coração quando se fecha faz muito mais barulho do que uma porta». Em Artista de Circo, página 147: «Quando um coração se fecha faz muito mais barulho do que uma porta, diz o António Lobo Antunes». Em Não Há Coincidências, página 22: «Saio de casa ainda é noite cerrada. O portão abre-se silenciosamente, cúmplice nas minhas saídas madrugadoras e regressos tardios»; página 132, do mesmo livro: «Saio de casa ainda é noite cerrada. O portão abre-se silenciosamente, cúmplice nas minhas saídas madrugadoras e regressos tardios».

Serão as personagens dos seus livros tão fielmente parecidas que as mesmas frases, encaixam perfeitamente nos diferentes livros? Aparentemente sim!

João George afirma que as personagens de Margarida Rebelo Pinto são quase todas uma reminiscência, sendo que todas são giras, solteiras, na casa dos trinta anos, e com os mesmos objectivos de vida. Toda a caracterização de personagens que figurem estatutos sociais baixos, são pobremente descritos.

Mais ainda, após a publicação do artigo “as gordinhas” podemos perceber a arrelia de Margarida Rebelo Pinto pelas pessoas que sabem comer bem. Senão vejamos o seu modo de adjectivação:

«Expressões como «impotente como um peixe», «cara inchada que parece um bolo», «duas loiras bem cheias com cara de couve», «cara de ovo cozido», «fazia cara de pescada enjoada»

João Paulo George refere também os lugares preferidos de Margarida Rebelo Pinto, que acabam por se tornar um cliché de tal é a forma que são utilizados, tal como o Bairro Alto ou o Lux.

Apesar de tudo, Margarida Rebelo Pinto é a escritora que mais vende em Portugal, e os seus livros são traduzidos para várias outras línguas. No entanto parece perder um pouco de popularidade depois do desastroso e discriminatório artigo “As Gordinhas”. Mas será que com o tempo, o assunto será novamente esquecido? O seu próximo livro será tão vendido como todos os outros?

Esperamos para ver… E comentar!

Pretty Little Liars – A beleza é um bem superficial

Para quem vê a série e leu a minha revisão ao primeiro livro, provavelmente não vê grandes diferenças do livro para a serie. Na verdade o primeiro livro até é retratado quase que fielmente. Mas é neste segundo volume que as coisas começam a mudar ligeiramente.

Após a policia encontrar o corpo de Alison DiLaurentis no quintal traseiro da casa onde esta viveu, as quatro amigas juntam-se finalmente no funeral para uma ultima homenagem, e descobrem finalmente que “A” não ameaça unicamente uma delas, mas que todas recebem as mesmas ameaças. E todas elas têm segredos que apenas Alison conhecia. E parece que “A” já não consegue esperar para dar com a língua nos dentes.

Ora, embora tenham descobertos que são vitimas em comum, as quatro amigas mantêm-se distantes, cada uma sem querer revelar ás outras, qual a forma de chantagem que “A” utiliza para cada uma delas.

Spencer Hastings – Ser perfeita como a irmã torna-se cada vez mais difícil, agora que toda a familia descobriu o seu caso com o namorado de Melissa – Wren. Spencer está absolutamente sozinha na própria casa, onde parece que ninguém voltará a falar para ela… Mas talvez o castigo tenha sido demasiado, pois é assim que Spencer decide continuar a encontrar-se com Wren (e ao contrário do que vemos na serie, é com ele que acaba por ter relações).

Hanna Marin – Mona Vanderwall, a sua melhor amiga parece descontente com o distanciamento de Hanna. Esta no entanto tem como preocupação Sean, que parece achá-la uma leviana desesperada por sexo e acaba a relação, após Hanna tentar forçar o acto.Hanna está cada vez mais próxima dos seus actos bulimicos, mas nisto o pai reaparece na sua vida. Hanna torna a reencontrar-se com Kate (filha da namorada do pai), e decide dar-lhe uma segunda oportunidade de amizade.. Mal jogado Hanna…

Aria Montgomery-  Ezra encontra-se firme na decisão de andar com uma aluna, quando descobre no telemóvel de Aria que “A” sabe de caso. No entanto parece que Aria não consegue sofrer por um homem durante muito tempo, pois nisto aparece Sean, recém separado de Hanna. Aria desabafa com Sean o caos em que está a sua família, e como sabe que o pai tanto anos depois reatou com a antiga amante Meredith. Sean em troca conta-lhe um segredo seu: “Já não tem a certeza se quer permanecer virgem por muito mais tempo”.

Emily Fields – Parece demorar a perceber que é homossexual. Afasta-se de Maya, ignorando as suas vontades primárias. Após ser agredida por Ben (o seu ex-namorado que descobre o seu caso com Maya) é salva por Toby, o irmão de Jenna. Emily não se apercebe que Toby sabe de todo o envolvimento delas no caso Jenna, e acaba por a sair com ele, no desespero de não se sentir homossexual.

Mas parece que Toby só levou com as culpas da cegueira de Jenna, porque Alison também sabia um segredo seu. Um segredo que parece ser ainda mais repugnante do que cegar Jenna, pois Toby preferiu arcar com as culpas desse caso, do que enfrentar aquilo que Alison sabe. E não, Toby não é a boa pessoa que na serie acaba por se envolver com Spencer. Na verdade, Toby nem sequer chega terceiro livro… É ler para ver!

 

 

Já deram uma olhadela ao livro disponivél neste blog?

Para quem ainda não leu, Meltdown – Á beira do colapso, é um romance escrito por mim, disponibilizado por capítulos, todas as segundas-feiras.

Á beira do colapso é um romance para adolescentes e jovens adultos, que retrata a história de uma popular rapariga – Jéssica.

Jéssica é uma rapariga perfeita, com uma melhor amiga tão perfeita como ela, e namora com um dos rapazes mais bonitos da escola. Sempre foi boa aluna, popular, sendo até aspirante a modelo.

Mas a vida perfeita muitas vezes esconde os mais penosos segredos. Com um esforço sobrenatural, Jéssica esconde a todo o custo os eventos traumáticos pelos quais passou, embora as suas tentativas pareçam ser infrutíferas, e o seu comportamento pareça cada vez mais estranho e desesperado.

Com medo que a “sua história” manche para sempre a sua vida, e o modo como o qual todos olham para ela, Jéssica cai numa depressão nervosa, disfarçada por drogas psicotrópicas.

Devidida entre os seus amigos populares e fúteis que parecem não a entender de todo, Jéssica procura novas amizades, em grupos escolares com os quais nunca falou. No entanto os seus juizos são ainda confusos e desfragmentados, e Jéssica parece não perceber que as decisões que toma, não são as melhores para si.

Quantas pessoas não vivem com uma máscara invisivel, escondendo os mais profundos sentimentos, e sorrindo quando a vontade é bem diferente? E, até onde leva, esconder com tal afinco sentimentos perturbadores, sem qualquer tipo de ajuda e de apoio?

Um livro que vai de encontro a sentimentos adversos, que são no entanto a realidade em muitos casos

O que diz Margarida Rebelo Pinto sobre as “gordinhas” … E o que tenho eu a dizer!

Hoje venho-vos falar de um tema um pouco diferente do usual, no caso, um pequeno rebate a um artigo no jornal “Sol” da autoria duma das mais famosas escritoras portuguesas, Margarida Rebelo Pinto. Para verem o artigo na integra cliquem aqui.

Ora este artigo pode ser considerado no minimo algo estereótipado, preconceituoso e a roçar na ignorância, vulgaridade e falta de bom senso.

Resumidamente, depois de ler este texto verdadeiramente insultuoso e insensivel, não percebo porque Margarida Rebelo Pinto continua a aclamar “gordinhas”.

Se tem essas ideias mais vale corrigir logo ao preconceito éticamente correcto: que chame badochas, requeijões, pequenos elefantes, porque não?

Afinal se ao texto não falta a sensibilidade, porque se dar ao luxo de eufemismos como “gordinha”?

Ora pelas palavras de Margarida Rebelo Pinto, o que é este animal generalizado, e meio humano, que adquire mais direitos que os outros, intitulado a “gordinha”? E tenham em atenção que nem sequer fala em gordinhos no masculino..

Então a gordinha é alguém que acompanha grupos de rapazes como uma melhor amiga maria-rapaz que se pode comportar como eles, e que é defendida pelos rapazes com unhas e dentes, indiferentes aos comportamentos impróprios que estas possam ter, porque afinal, não é, são consideradas meio homens… E apenas têm o direito a entrar em vias de facto se esses mesmos homens estiverem entornados em alcoól, onde qualquer coisa serve para “aliviar”.

Então a senhora Margarida não sabe que existem gostos para todos os géneros? Que nem todos os homens gostam de corpos magros? Que todos somos diferentes e que todos temos gostos diferentes?

Uns gostam de loiras, outros de morenas, outros de magras, outros de gordas, cabelos curtos, cabelos compridos, há gostos para tudo.. Porque afinal todos somos pessoas diferentes e ninguém é obrigado a seguir o estereótipo imposto pela sociedade do que é moralmente correcto, a atracção pelos corpos de sereia e pela menina bem comportada cheia de regras de etiqueta.

Ora as “gordinhas” são populares. A Margarida Rebelo Pinto não deve com certeza ter em conta todos os casos de bullying contra pessoas de excesso de peso, que os leva ao insucesso, a disturbios alimentares, e á valeta da sociedade, pois muitos desaprendem a socializar-se devido á constante gozação, e aos penosos dias de sofrimento e insultos que carregam para toda a vida, que com certeza não é a melhor ajuda para emagrecerem.

E outra questão ainda… E se essa “gordinha” fôr feliz como é? Se sentir bonita, talentosa e se comporte exatamente como aquilo que se sente por dentro, e se sinta feliz da vida, tal e qual como é? Quem é esta senhora para a vir rebaixar a dizer que esta “gordinha”não passa de uma promiscua desesperada para ter relações sexuais com o primeiro que a queira?

Quê? Não há magras que fazem exatamente o mesmo?

Mas não, estas “gordinhas” têm um estatuto especial entre os homens. Elas podem comportar-se como quiserem, enquanto que as magras e bonitas têm que se comportar com delicadeza, elegância, lucidez e sei lá eu que mais.

Pois bem, se essa é a sua experiência de vida, eu digo-lhe a minha. Tenho várias amigas magras e giras que dizem palavrões, falam alto, sabem festejar e não têm tabus nenhuns em relação á vida sexual. E estão-se a marimbar para a posição do homem quanto a isso.

Se no grupo da Margarida isto não se passa, e as boazonas não passam de más línguas que invejam as “gordinhas” simplesmente por elas serem elas próprias, e gordas felizes, que tal trocar de grupo em vez de colocar a culpa nas “gordinhas”?

Afinal no caso que relata não parecem ser elas a estar de mal com a vida. Cada um que olhe pela sua, em vez de dar sugestões maldosas sem carácter ou qualquer moral!

E não, eu não sou gorda, sou magra! E ainda assim, desprezo tudo o que ali está escrito. Absolutamente repugnante, cheio de juizos de valor, falta de ética, e senso moral.

As pessoas são pessoas. Abaixo todo o tipo de Bullying por aqueles que se consideram superiores aos outros!

Se gostou deste artigo, pode seguir este o blog através do facebook, basta clicar gosto na coluna acima indicada.Pode deixar também um comentário, adoraria ter feedback sobre aquilo que acharam deste artigo, e do artigo de Margarida Rebelo Pinto !

Capitulo 8

Afinal o problema é só mesmo com Ricardo!

Entramos num bar quente e acolhedor, com forte cheiro a canela, oriundo de pequenas velas espalhadas entre as mesas. A decoração tinha um toque irlandês.

As mesas eram de uma madeira velha e riscada, e em vez de cadeiras havia pequenas pipas com uma almofadinha redonda em cima. As paredes eram de pedra, com quadros de diferentes logotipos antigos de cerveja.

A única empregada a servir ás mesas era sem duvida estrangeira, talvez  inglesa. Usava roupas excêntricas de estalajadeira, e uns sapatos de plataforma com quase vinte cêntimetros.

A música ambiente tocava em volume baixo, e embora muitas mesas estivessem ocupadas, o bar transmitia uma sensação pacifica, em que mal se ouvia o barulho dos outros clientes.

Escolhemos uma mesa a um canto, perto de uma janela.

– Já tinhas vindo aqui? – perguntou-me Artur, sentando-se bem disposto numa das pipas, com um enorme á vontade.

– Nem por isso – respondi. Peguei no pequeno cardápio castanho, encostado aos guardanapos. Gostava de ter sempre as mãos ocupadas.

– Já calculava – disse, num meio sorriso – Quer dizer, não parece fazer o teu género.

– Se sabes que não faz o meu género, como tinhas tanta certeza que eu viria? – escarneci. Falava sem olhar para ele, analisando as folhas do cardápio que segurava com as duas mãos á minha frente.

– Bem, simplesmente sabia.

– Estás demasiado confiante – atirei, pousando o cardápio, olhando finalmente para ele.

– Não estou – respondeu. O tom era sério, e agora era ele que não olhava para mim. Parecia entretido com a bolsa, donde retirou um maço de tabaco que pousou em cima da mesa. Olhei para o maço. O meu já tinha acabado á uns dias e não tinha comprado outro na promessa de não começar a fumar. No entanto desde do momento em que este tinha acabado não pensava noutra coisa, senão comprar outro. Ver um maço quase novo em cima da mesa era penoso, e quase por impulso ia retirar um cigarro, mas filei as mãos á cadeira e desviei o olhar.

Aempregada aproximou-se para anotar o pedido.

– Queria uma cerveja – pedi. Esta fixou um pouco o olhar em mim por uns momentos até dizer na sua pronuncia britânica: -Não foi a menina que ganhou o desfile do biquini o verão passado?

Acenei que sim com timidez. Em tempos teria adorado ser reconhecida pelo meu trabalho no mundo da moda, mas não agora. Naquele momento a coisa que menos queria era chamar a atenção.

– Bem me queria parecer – continuou a empregada, na sua pronuncia acentuada – sabe decoro muito bem caras. Dá jeito quando se trabalha a servir ás mesas.

– Estou a ver que sim – comentei num sorriso forçado. Queria encerrar o assunto, mas sem sucesso.

– Gosto muito de concursos de moda. Pena aqui serem tão raros. Mas quando a vi desfilar vi logo que ia ganhar. Não lhe falta nada para ser modelo. Muito carisma. Vocês usam cá essa palavra certo? Carisma?

– Sim sim. Perfeitamente – despachei. – Muito obrigado.

Parecendo satisfeita anotou também o pedido de Artur, com cara de quem se pergunta de si para si, que estaria eu a fazer ali com aquele.

Artur no entanto parecia alheio a toda a conversa. Puxara de um cigarro enquanto via a empregada a afastar-se.

Com um mal estar indisfarçável, mantive-me em silêncio. Olhei novamente para o maço. Artur voltara a colocá-lo no centro da mesa. Esperara que me oferecesse depois de começar a fumar mas não o fez. Olhava apenas, avaliativo.

– Não foi nada de especial o concurso – disse por fim pouco á vontade. – Foi num parque aquático e qualquer pessoa que lá tivesse podia ter visto o desfile. Foi mais um entretenimento do parque do que um concurso a sério.

Riu-se.

– Que foi?

– Nada. Achei estranho. Não ficas contente por te reconhecerem de um desfile de moda?

– Não foi por isso. Sei lá, não gostei que se intrometesse. Além disso deixei a moda para trás. Não faz o meu estilo.

Aguardei uma resposta mas Artur parecia pensativo, como se estivesse a assimilar a informação que lhe dava, e não fez qualquer comentário.

A empregada surgiu trazendo numa bandeja as cervejas em canecas de aço, fazendo lembrar a era medieval. Artur segurava o cigarro com a ponta dos dedos, dando pequenas pancadas com o polegar, fazendo cair a cinza.

– Este lugar é original – disse-lhe, tentanto quebrar o silêncio. Sentia-me no estrangeiro, algures no norte da europa, o que provocava uma sensação estranhamente libertadora.

– Sabia que te ias sentir bem num sitio diferente.

– Porque dizes isso?

Ele encolheu os ombros. – Não sei. Pareces-me desenquadrada do teu grupo nos últimos tempos.

– Eles são porreiros – admiti.

– Mas ainda não repararam que algo diferente se passa contigo, pois não?

Pensei na pergunta de Artur. Aquilo não era bem verdade. Ricardo reparara na mudança de comportamento. Ou acharia simplesmente que era apenas mais um capricho meu, para requerer atenção?

E Susana? Não, definitivamente Susana não percebia. E Dani e eu não eramos propriamente amigos. Franzi o sobrolho. – Não se passa nada comigo – ripostei.

– E se te tivesse convidado há umas semanas atrás para vir aqui, tinhas aceitado?

Há umas semanas atrás? Pareciam-me antes anos. Eu e a Susana a rir alto pelos corredores, quando rapariguinhas apareciam na escola a tentar imitar a nossa maneira de vestir. Via-mos juntas os treinos de Dani e Ricardo na bancada do campo de futebol. Ricardo e eu iamos ao cinema durante a tarde ou á pista de gelo do centro comercial. E aos sábados á noite Susana e eu escondiamos garrafas de vodka na mala do carro de Dani, o unico com idade suficiente para ter carta, e davamos largos passseios até encontrar o sitio ideal para as beber. A vida perfeita de qualquer adolescente.

– Há umas semanas atrás não te conhecia, por isso não, não teria aceitado.

– Não me parece que seja só isso – indagou.

– Também sabes tudo – desafiei, já um pouco aborrecida com a intromissão dele.

– Sei por exemplo que estás mortinha por tirar um cigarro – respondeu pegando no maço passando-o de uma mão para a outra, fixando os olhos negros nos meus. – Mas não és capaz de ficar em posição de me pedir algo.

– Se não te pedi foi porque não senti vontade – corei violentamente, sem saber se naquele sitio escuro daria para notar. Teria posto base suficiente que escondesse o calor que me subia á cara?

Artur sorriu com cepticismo e encolheu os ombros. Naturalmente não se dava ao trabalho de discutir algo de que tinha a certeza. Em vez disso tirou um cigarro para fora e entregou-me. Pensei durante uns segundos em recusar, mas não tive força de vontade suficiente. Contrariada, arranquei-lhe o cigarro das mãos e acendi-o, ignorando o seu olhar triunfante.

Em silêncio, um pouco arreliada, mudei de posição, ajeitando-me em cima da pipa, levando a unha á boca com o cigarro perto da cara. Ele riu-se.

– Pronto, vieste cá por ser fora do normal certo? Estás farta de fazer o mesmo.

– Talvez tenha sido por isso – admiti.

– Mas querias mudar o ambiente? Ou as pessoas? – perguntou, com uma certa malicia.

– Um pouco dos dois.

– Estou a ver – respondeu esmagando o cigarro no cinzeiro, apagando-o á primeira tentativa.

– Já podemos parar de falar sobre mim? – pedi, num certo desconforto, dando o primeiro gole na cerveja. Era forte, azeda e gelada. Franzi um pouco a cara.

– Porquê? Não gostas de falar sobre ti?

– Há outros assuntos que podemos falar – sugeri.

– Está bem – fez um aceno com a cabeça – Então conta-me o que gostavas de fazer quando acabares o secundário?

– Pensei que não iamos falar mais sobre mim.

– Não é sobre ti – troçou alongando os lábios – é mais sobre aquilo que vais querer fazer. Assim algo que já pensaste fazer mas que nunca pensaste em concretizar.

Refleti um pouco. O que gostaria eu de fazer? A minha vida com Susana sempre tinha sido perfeita. Tinhamos saídas todos os fins-de-semana, tinhamos festas, tinhamos dinheiro para compras quase diárias no shopping. Tudo o que eu gostava de fazer fazia. Simplesmente agora tudo aquilo tinha perdido o interesse. Mas também não me ocorria nada novo que gostasse de fazer. Seria assim tão desinteressante?

– Não sei, diz-me tu primeiro – sugeri. – Se o assunto não é sobre mim, cada um tem que dizer – monopolozei.

– Deixa ver – anuiu ele, reflectindo dando agora um gole na sua cerveja – Hmmm, gostava de pegar numa mochila assim com pouca roupa e não sei, metia-me num comboio qualquer durante o verão. O primeiro que partisse da estação. E depois noutro, assim á sorte. Para ver onde ia parar, quem conhecia, onde ia ficar. Mas não sei se realmente o vou fazer – acrescentou.

Pensei naquela aventura. Se bem que na minha cabeça tivesse bem mais piada trocar o comboio por um avião. E voar num e noutro, até ir para um país bem longe. País não, talvez uma ilha deserta, onde ninguém me pudesse chatear. Olhei pensativa para ele: – É um bom plano – sorri-lhe. – Um dia tens que o pôr em prática.

– Quem sabe, um dia me dê para isso – disse, dando um grande gole na sua bebida. – Agora é a tua vez.

– Hmm não sei. Nunca pensei em nada assim. – “Céus, seria eu assim tão desisnteresante?” –  O que eu quero fazer faço e pronto. Agora assim de repente não me vem nada extravagante á cabeça.

– Então? Tem que haver alguma coisa. Algo que imagines, ou sonhes de vez enquando.

– Não sei a sério. Se estiver aqui a pensar á pressão vou acabar por dizer qualquer coisa, e assim não vai ter piada.

– Ok – desistiu um pouco desiludido – Pensei que depois do secundário pensasses num plano só teu, algo que apenas tu quissesses fazer..

– Mas qual é o objectivo? E se não me apetecer fazer nada e pronto?

Ele encolheu os ombros: – Sei lá, a vida toda é concretizar objectivos. A escola, o trabalho, os amigos. É bom termos um objectivo que seja só nosso. Que não venha imposto no resto do pacote.

– Pensando por aí, até tens razão – refecti.

– Quer dizer que vais pensar em algo? – perguntou Artur  num tom de brincadeira.

– Vou tentar – prometi.

Ele abanou a cabeça: – Tentar é a primeira palavra que usamos quando queremos desistir.

Ri-me. –  Apanhaste-me.. – gracejei. – A sério vou ver se me surge alguma ideia. – Dei mais um trago da cerveja, girando a caneca nas mãos.

Artur retribuiu um sorriso, bebendo também da sua cerveja. No momento seguinte no entanto parecia novamente sério. Reparei que mexia no anel do dedo pulgar.

Rodei a caneca na mesa, brincando. Artur parecia concentrado, pelo que me mantive em silencio, tentando adivinhar o que lhe passaria pela cabeça.

Olhei para o relógio. Já era tarde.

– Amanhã temos aulas – suspirei.

– Anda, vamos então.

Levantamo-nos para ir pagar á caixa.  A empregada voltou-me a sorrir amávelmente, quando lhe pousei as moedas na mão. Retribuí num meio sorriso e virei-lhe costas, vestindo o casaco, cingindo-o abaixo do peito com uma das mãos, e saí primeiro do bar sem Artur.

Senti a humidade cortar-me a face. Era o Inverno mais frio de que tinha memória. Respirei fundo o ar da noite, de olhos fechados, ouvindo a porta do bar abrir-se atrás de mim entoando uma pequena campainha. Voltei-me de encontro a Artur.

Este parou á minha frente, aproximando-se de mim, observando-me num meio sorriso.

Esperava que me tocasse, que me puxasse uma mão mas não o fez. Estava tão próximo que podia sentir o odor que emanava das suas roupas, numa especie de calor térmico que chegava até a mim. Senti um leve impulso de lhe tocar, mas travei a mão já em movimento. Artur mantinha-se tão próximo que podia sentir sua respiração na minha face. Sentia o estômago e endurecer, num ligeiro nervossismo. Fixei o olhar nos seus olhos negros, espectante.

Artur recuou então um pouco, num meio sorriso malicioso.

– Anda, levo-te a casa – disse, dando-me um pequeno toque com a mão no braço.

Segui-o, tentando esconder o embaraço e um certo desapontamento. Definitivamente não conseguia perceber o que ia na cabeça de Artur.

As ruas pareciam agora mais desertas e silenciosas. Nenhum carro passava, nem havia vento. Artur caminhava com as mãos nos bolsos. A certa altura já me perguntava se seria apenas para o proteger do frio. Estaria a evitar propositadamente qualquer tipo de contacto comigo? Ri-me.

– O que foi? – perguntou ele, na sua habitual curiosidade.

Como lhe havia de responder? Insegura era um sentimento do qual eu nunca chegára perto. Nunca estivera na posição de sentir que era a primeira a pedir por contacto fisico. Até bem pelo contrário. Como lhe explicaria que o meu riso, não passava de uma ligeira irritação disfarçada?

– Não é nada – respondi, ainda com o riso nos lábios. Talvez conseguisse transmitir aquilo como uma súbita boa disposição.

Lembrei-me vagamente da noite que saíra com Ricardo e do conforto que sentira nas suas mãos. Aquela noite era incrivelmente parecida. Depois Ricardo estragara tudo com perguntas indiscretas.

Caminhamos durante de uns minutos, percorrendo as ruas de asfalto brilhante e escorregadio. Perdida em pensamentos nem me tinha apercebido que iamos em silencio á tanto tempo.

Artur no entanto parecia perceber os meus momentos silenciosos. Talvez não dissesse nada, julgando que provavelmente eu nem o ouviria.

Já estavamos perto da minha rua, passando por jardins de relva morta do frio, mas ainda assim cuidadosamente aparada, e grandes arvores  totalmente despidas de folhas que desfilavam pelo passeio, a uma distancia perfeitamente simétrica.

Artur rodou sobre si mesmo, encostando as costas a uma árvore.

– Anda cá – murmurou, envolvendo-me as duas mãos e puxando-me com suavidade ao seu encontro. Parei indesisa com a proximidade, olhando-o duvidosa.

Sem me tocar na cara, afastou uma madeixa de cabelo loiro caída, para trás da minha orelha, fixando os olhos em mim.

– Não queres falar comigo?

– Sobre o quê? – perguntei confusa.

– Sobre aquela noite – respondeu, talvez um pouco indesiso, medindo as palavras.

Afastei um pouco a distancia entre nós, revirando os olhos impaciente. Respirei fundo antes de lhe devolver o olhar. Outra vez aquele assunto…

– Desculpa aquela noite – disse, com uma certa frieza. – A noite do baile não me correu bem, e eu o Ricardo tinhamos discutido essa manhã. Não queria que me tivesses visto a reagir assim.

– Mas foi só isso? –  Falava num tom de voz baixo e atento, completamente alheio á minha falta de jeito.

– Sim.

– Fiquei com a sensação – disse, fazendo uma pausa, enquanto revirava o anel no dedo – que houve algo mais sério do que uma discussão. Ou que, pelo menos não fosse só por causa disso.

– Realmente não importa – disse eu, desviando-me do seu olhar.- Não se passou nada, não me volto a comportar assim, a sério.

– Então tu e o ele fizeram as pazes?

– Sim, de uma certa forma – disse, repensando no entanto a resposta. – Quer dizer, já não é a mesma coisa. Ricardo e eu não temos muito a ver um com o outro.

Artur sorriu, lançando-me um olhar de pouca credibilidade.

– O quê? – perguntei num tom mais agressivo. –  Ele tem a ver comigo só porque é giro e tem dinheiro?

– Eu vejo que estás desenquadrada deles – respondeu-me num tom neutro.

Olhei-o com uma certa rispidez, mas mais uma vez ele fingiu-se despercebido.

Dei por mim a pensar que Artur gostava de passar despercebido e alheio a tudo, exatamente quando percebia totalmente alguma coisa. E dava sempre a entender menos do que aquilo que realmente conseguia perceber.

– Não estou desenquadrada. Susana é minha amiga desde de que eu me lembro.

– Dantes podias gostar de andar com eles. Mas agora não é isso que queres – afirmou ele com segurança.

– Tu lá sabes o que eu quero – respondi com um certo desdém.

Artur abriu um meio sorriso. Sem aviso prévio, segurando-me firmemente pelas mãos, rodopiou, encostando-me a mim á árvore, apertando o meu corpo com o dele.

– Sei sim – respondeu com os lábios a roçar nos meus.

Pensei brevemente em empurrá-lo, mas sentia as entranhas revolverem-se em excitação. Lutei contra a tentação de o beijar.

Com um dedo no meu queixo, inclinou-me a cabeça de modo a olhar para ele. Raspava os lábios dele nos meus, á espera que eu o beijasse, fixando o olhar no meu, extaseando-me. Sentia agora a sua lingua ao de leve, humedecendo-me o lábio de cima. Voltou a pressionar o meu corpo com o dele, cingindo-me pela cintura.

Cedi finalmente, fechando os olhos, procurando avidamente por um beijo. Primeiro suave. Os seus dedos procuravam a minha cintura, por debaixo do casaco. A pressão aumentava tal como a avidez dos beijos. Sentia o seu calor, morno e perfumado envolvendo-me, estonteando-me.

Não sei durante quanto tempo nos beijamos. Senti-me ofegante quando nos afastamos.

– Anda – disse ele recuando, puxando por mim. – Tens de ir para casa.

Acenei afirmativamente. Envolvi-lhe a cintura com o braço, enquanto avançavamos pelo passeio escorregadio. Levava o cabelo á banda, e roía uma unha, não sentindo sequer que o casaco ia aberto, expondo o decote ao frio. Sentia o seu braço, envolvendo-me também, forte e seguro. Chegamos ao alpendre de minha casa. Não havia luz em nenhuma janela. A minha mãe devia continuar a dormir.

Subi as duas escadas do alpendre, virando-me para Artur. Ele subiu a perna direita para o primeiro degrau colocando a cara por debaixo da minha.

– Vemo-nos amanhã? – perguntou ele, roçando a nariz no meu. Acenei que sim, recomeçando a beijá-lo. Depois afastei-o colocando o dedo entre os nossos lábios. Puxei-o com força forçando-o a subir as escadas. Abri levemente a porta sem fazer barulho e voltei a aproximar-me dele.

– Acho que sei algo que quero fazer – sussurei-lhe ao ouvido, puxando-o para mim. – Fica comigo como naquela noite.

Artur vacilou. – Jéssica, e se alguém nos ouve?

– Não vai haver problema, prometo-te.

Artur não se moveu. – Não sei se será boa ideia – acrescentou.

– Foste tu que perguntas-te por alguma loucura que eu gostasse de fazer. Tu é que me incentivaste a ter ideias – brinquei, brindando-o com um olhar inocente.

Sem que Artur estivesse minimamente convencido, puxei-o para dentro de casa. O ar era ameno, como se fosse verão. A mãe gostava de deixar a toda a hora o aquecimento central ligado. Sem fazer-mos barulho, subimos ao de leve as escadas e entramos no meu quarto, trancando a porta. A luz pálida da rua, iluminava a divisão através da persiana meia corrida.

Embora a luz da rua fosse fraca, vi que Artur observava num sorriso o troça, todo o quarto, desde do papel florido de tons pastel e rosa velho que tinha escolhido com Susana numa loja de decoração, á enorme quantidade de almofadas de renda branca, e um cadeirão de bombazine cor de rosa, perto de um abajur branco com um peluche em cima.

Dei-lhe uma cotovelada. – Para o que estás a olhar? – sussurei baixinho.

Ele riu-se, encolhendo os ombros. – Betinha – disse baixinho num tom de troça.

– Pára! – murmurei, rindo-me também. – Tavas á espera de quê também? Já não sabes que sou betinha?

– Schhhh – fez-me ele (eu falára um pouco alto demais) – Tens a certeza qe ninguém nos vai ouvir?

– Não te preocupes.

Colocamos os casacos numa cadeira e descalçamo-nos, estendendo-nos de seguida ao comprido na minha cama completamente vestidos.

Estavamos ambos deitados de lado, virados um para o outro. Artur observava-me atentamente, passando suavemente a mão, brincando com uma madeixa do meu cabelo. Já estava habituada aquele olhar atento e inquiridor. Mas não me sentia menos curiosa de saber que pensaria ele nessas alturas.

– Não me chegaste a contar porque é que o baile te correu a mal –disse-lhe, apercebendo-me a certa altura que raramente me dava informações completas sobre ele.

Artur encolheu os ombros – Vendo em perspectiva não me correu tão mal assim.

– Não? – não consegui perceber o que ele me queria dizer com aquilo, mas também não tive tempo para pensar mais no assunto, pois Artur beijava-me novamente. Senti o sabor leve do tabaco misturado com a cerveja do bar.

Observei-o puxando levemente com os meus lábios, o sue lábio debaixo. Apreciava cada detalhe da cara magra, da tez morena, e os musculos tensos do maxilar. Aquilo era muito diferente de estar com Ricardo. Até ali tinha estado na duvida se sentiria o mesmo desconforto com Artur, mas o certo é que não sentia. Tinha até uma ligeira vontade de procurar mais avidamente por uma resposta corporal da sua parte. Tentei procurar nele a mesma vontade, apertei-o com as mãos um pouco de lado.

Procurei duvidosa pela sua expressão, talvez um pouco nervosa com as ideias que me trespassavam pela cabeça. Artur no entanto estava impávido, e não parecia ter qualquer duvida a incomodá-lo. Puxou-me mais para si, abraçando-me e encostando-me a ele. Senti a sua respiração regular na minha testa.

Alguma vez me sentira tão confortável e bem como naquele momento? Não sabia.

Senti ao de leve um beijo nos cabelos, e pouco depois adormeci, sem me preocupar com mais nada.

 

Pretty Little Liars – Nunca confies numa rapariga bonita

“Três podem guardar um segredo, se duas estiverem mortas” Benjamin Franklin

A cidade de Rosewood parece ser o sitio perfeito para viver. Cheira a relva fresca no verão, e a fogões de lenha no inverno. Em vez de casas pré-fabricadas (usuais nos EUA) Rosewood é composta por mini mansões, com acabamentos em mármore, piscinas, jacuzzi, e todo o luxo possível  para os seus habitantes de classe média alta.

Ali, os adolescentes são todos parecidos. Bonitos, bem vestidos, com telemóveis de ultima geração, e carros de alta cilindrada. A vida parece perfeita em Rosewood Day… Mas não, se esgravatar-mos apenas um bocadinho.

Sara Shepard, é a autora de Pretty Little Liars. A história é narrada com uma entoação escarninha, talvez até com alguma mesquinhez, dando ênfase ao tipo de sociedade e mentalidade para onde seremos transferidos, mal damos inicio á leitura.

Alison DiLaurentis, é uma rapariga linda, perfeita, boa aluna, e uma desportista exemplar e competitiva. Todos sonham ser como Alison ou tê-la como amiga. Ou será que não?

Alison desaparece misteriosamente no final do ano lectivo do sétimo ano. No inicio todas as suas melhores amigas, choram e afligem-se. Quem levou Alison? O que lhe teram feito? No entanto com o passar dos anos, o caso começa a esmorecer. As amigas tentam encerrar o luto por Alison.

A aflição começa a dissipar-se, dando lugar a um novo sentimento – alivio…

Com Alison desaparecida, elas têm a certeza de que todos os seus segredos, estarão seguros.

As raparigas separam-se, deixando de se contactar, e passam entre si na escola, fingindo que não se conhecem.

No entanto, três anos depois, alguém as chantageia, e pretende denunciar todos os seus segredos. Todas elas em comum recebem mensagem do misterioso “A”, que parece saber todos os segredos enterrados do passado, mas também os do presente.

Aria Montgomery esteve emigrada na Islândia durante doia anos, e volta a Rosewood, com o mau pressentimento de que ali será apenas atormentada pelas más lembranças. Apenas Alison e ela, sabem do caso que o pai de Aria teve outrora com uma aluna de vinte anos, apanhado em flagrante pelas duas, num banco traseiro de um carro. Aria, esconde o que viu á mãe, mas será que “A” o fará por ela?

Não sendo a única preocupação, Aria envolvesse com um  atraente desconhecido num bar mal cheiroso, logo no primeiro dia de volta a Rosewood. Depois de um caso, nas casas de banho sujas do bar, Aria volta a reencontrá-lo, nada mais nada menos na escola, como professor Fitz, o novo professor de inglês. “A” parece estar a par, do seu novo romance. Afinal relações professor-aluna, talvez sejam de família.

Spencer Hastings é filha de uma importante família, onde ser perfeito, é mais que obrigatório. Com complexo de inferioridade habitual de irmã mais nova, Spencer combate efervescentemente Melissa (a sua irmã mais velha), ficando no entanto sempre aquém das suas expectativas. Á no entanto algo, que Spencer sempre ganha ás custas da irmã – os seus namorados. Afinal, quem manda Melissa envolver-se com rapazes tão apetitosos e sexy?  Apenas confidenciara com Alison, o caso com o ex-namorado da irmã, Ian Thomas. Mas então como é que “A” parece saber também?

Emily Fields é a filha modelo, de perfeita educação e obediência. Pratica natação com afinco para ganhar uma bolsa universitária, e namora com o capitão de equipa Ben, um rapaz atlético, bonito, de olhos azuis. Mas então porque é que Emily se sente enojada, sempre que sente a língua de Ben no seu pescoço? Porque é que Maya (uma nova aluna, residente agora na antiga casa dos DiLaurentis) parece muito mais apetecível e fresca? Emily apenas beijara anteriormente uma rapariga – Alison. Mas isso não significa que ela seja gay pois não?

Hanna Marin uma antiga tótó do grupo, gordinha e cheia de problemas de auto-estima. Após o desaparecimento de Alison, Hanna junta-se a Mona Vanderwall, outra croma, que sempre fora desprezada por Alison, e decidem reinventar-se. De um ano para o outro passam a ser as raparigas mais bonitas e populares da escola. Mas Hanna não conseguiu ficar magra apenas com exercício. A escova de dentes goela abaixo foi na verdade a sua melhor amiga para conseguir o corpo que tem actualmente. Esse vicio agora já ultrapassado (mais ou menos), dá lugar a outro – roubar artigos de luxo, nas lojas preferidas. Mas “A” não parece disposto a deixar passar e branco.

Hanna, após o esforço atroz para perder peso, e virar sexy e arrebatadora, consegue finalmente o seu objectivo, namorar Sean Ackard. No entanto todos os esforços parecem ter sido em vão, pois Sean ingressa num clube de virgindade, e parece que Hanna não é para ele, a rapariga ideal para a primeira vez.

Será que “A” denunciará os segredos de cada uma? Será que ele também sabe do caso que todas receiam em conjunto? O caso Jenna?? Apenas elas sabem o que se passou com Jenna. Mas por vontade delas, ninguém mais poderá saber.

Será por causa de Jenna que Alison desapareceu?

Nota: Após reler a colecção pela segunda vez, e de já saber quem é o “A”, não entendo como é que “A” pode ter estado em três sitios diferentes na noite da festa do Noel Kahn, quando tinha perfeito alibi e se encontrava também com os copos.. Fica por explicar….